Uma das entrevistadas do Power To, Maria João Antunes,  publicou o livro Ecos de Mudança, uma chamada urgente aos homens para se juntarem à luta pela igualdade de género. A revolução social precisa de iniciar com o apoio deles.

“A igualdade de género não se alcança sem os homens. Foi com esta convicção que escrevi Ecos de Mudança.

Depois de ter publicado o meu primeiro livro, “Empoderamento Feminino em Ação”, dedicado a ajudar mulheres a desenvolverem as suas carreiras de liderança, percebi que estava a fazer apenas metade do caminho. A sociedade que ambiciono, com direitos iguais e respeito por todos, como consagrado na constituição, ainda está longe do que devia ser. Para lá chegarmos, precisamos de fazer mais, precisamos que os homens estejam connosco nesta luta.

Os números não nos deixam mentir, infelizmente. Dados da APAV, ACT, CITE e até da PSP/GNR confirmam o que vemos diariamente: uma percentagem residual de mulheres nos cargos de topo das empresas, mulheres grávidas ou em período de aleitação a serem despedidas, disparidades salariais gritantes e a chaga social das agressões e mortes sobretudo de mulheres. Estes não são sentimentos, são factos. Vivemos num país ainda marcado pelo paternalismo e pelo machismo. Não vale a pena esconder a realidade. Mas também não podemos resignar-nos a ela. Podemos evoluir, podemos alterar preconceitos e podemos agir.

A educação sempre foi, para mim, a chave para essa mudança. Como Nelson Mandela tão sabiamente nos legou: “A educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo”. Foi nela que pensei quando decidi construir este projeto de forma colaborativa.

Neste livro, dei voz a quem raramente é convidado para esta conversa. Perguntei aos homens: o que acham que deve ser feito para mitigar esta questão social? E pedi-lhes para apreciar, valorizar e comentar os testemunhos de 16 mulheres entrevistadas, que partilham como exigiram respeito inegociável, as estratégias que usaram para quebrar barreiras invisíveis e as ferramentas que usam para transformar direitos teóricos em realidade palpável.

Os Homens foram verdadeiros aliados que ofereceram parceria, mostrando, na prática, o que significa estar ao lado das mulheres, apresentando também soluções para um futuro mais justo.

O resultado foi uma convergência de opiniões surpreendente e que valida, acima de tudo, a necessidade urgente de agirmos juntos em várias dimensões.

O meu propósito foi ir além da intenção eu quis lançar um plano desafiador e estruturado que prepare para a ação, que enfrente as

estruturas socioculturais enraizadas no nosso país. Porque se de intenção já estamos todos cheios, é de ação que carecemos.

Ecos de Mudança, lança um desafio a 6/8 anos, dependendo dos recursos e do empenho, revelando a minha estratégia, tendo por base:

1. Reformular o processo educativo, desde a primária à faculdade, com forte incidência no respeito, na igualdade de género e em competências essenciais como, ouvir antes de reagir; dar feedback sem ofender; gerir emoções sob pressão e praticar a empatia.

2. Criar um regulamento empresarial obrigatório para a igualdade de género.

3. Estabelecer um sistema forte de sanções por parte do Estado.

4. Lançar campanhas nacionais de sensibilização, utilizando os mídia não só para informar, mas para formar a sociedade civil.

Aos governantes, deixam-se propostas de políticas públicas, desafia-se o governo a inovar e a refletir, a voltar a legislar se necessário e a melhor regular, criando estruturas legais que promovam a igualdade e a justiça social.

Enfatiza-se a importância do tecido empresarial estabelecer políticas de igualdade de género que sejam cumpridas, com o desenvolvimento de culturas verdadeiramente inclusivas e métodos para transformar a diversidade do discurso à prática efetiva.

Acredito que a educação é a base de tudo. É ela que molda mentalidades, quebra preconceitos e constrói futuros. Por isso, não podia deixar de lhe dedicar um capítulo. Se queremos uma sociedade mais produtiva, mais próspera e verdadeiramente igualitária, a transformação tem de começar no mundo académico, da primária à universidade, só assim formaremos cidadãos mais conscientes, respeitosos e comprometidos com a igualdade. É fundamental que este processo comece JÀ.

E como um dos grandes propósitos é chamar os homens para o nosso lado, considerei também importante abordar o seu papel com mais detalhe sobretudo para os homens líderes que por vezes apresentam resistências e dificuldades em ajudarem as suas colegas mulheres. Neste capítulo existe um guião, uma auto-reflexão de ajuda para os homens!

Este livro é um compêndio de vozes e experiências que nos guiam na ação!

Estou empenhada em contribuir para uma sociedade civil mais respeitosa e igualitária. Por isso, deixo-lhe também a si, caro leitor o seguinte repto:

Partilhe boas práticas. Influencie quem está à sua volta no caminho da igualdade e do respeito mútuo. Sensibilize a população. Mobilize homens e mulheres na mesma direção. Defenda quem é ameaçado. Denuncie quem agride. E, acima de tudo, enfrente os desafios com o exemplo da coragem.

Porque a mudança não se espera. Faz-se. E é urgente fazê-la juntos.”